Você tem nomofobia?

Os brasileiros são hiperconectados. Segundo pesquisas recentes, ocupamos o terceiro lugar no ranking dos que passam mais tempo mexendo em aplicativos, incluindo os de compras e pedidos de comida.  Ficamos uma média de três horas e quarenta e cinco minutos por dia ligados em aplicativos. Esses dados são de 2019. Os números potencializaram ainda mais durante a pandemia. De acordo com o IBGE, a troca de mensagens e imagens (mais de 95%) é o principal uso que o brasileiro faz do celular com internet; seguida de conversas por voz ou vídeo.

Para saber se você está entre esse grupo hiperconectado, basta responder sim para as seguintes perguntas: Você já esqueceu o celular em casa e sentiu que não dava para seguir com sua rotina sem o aparelho? Não aguenta ficar alguns minutinhos sem conferir novas postagens nas mídias sociais ou checar um e-mail ou notificação de aplicativo? Pois então, além de estar hiperconectado, de acordo com especialistas, você é um candidato(a) a ter nomofobia.

O termo nomofobia foi criado em 2008 pelo serviço de correios do Reino Unido diante do desafio de compreender a forma como os britânicos se relacionavam com seus aparelhos eletrônicos de bolso. Devido ao uso intensivo de aparelhos celulares e smartphones, essa palavra passou a ser difundida em outros países quando o assunto é o vício em usar dispositivos como estes.

Especialistas alertam para o tema e trazem reflexões em relação a importância de mudar comportamentos para manter a saúde em equilíbrio e ter qualidade de vida. Recente estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigou especificamente a ocorrência de alterações emocionais ligadas ao uso do smartphone em pacientes com síndrome do pânico e agorafobia (uma espécie de medo de ter medo). Os resultados revelaram que houve aumentos significativos de ansiedade, alterações respiratórias, taquicardia, tremores, transpiração, pânico, medo e depressão relacionados à falta dos dispositivos móveis em mãos. Além disso, o estudo observou sinais de dependência (vício) e de recuperação do bem-estar quando a posse do aparelho foi restabelecida em pessoas com transtornos de pânico e “agorafobia”. Aspectos que reafirmam o potencial de viciante da hiperconectividade.

No Brasil, pesquisadores adaptaram um questionário ao contexto local, que contribui para identificar a nomofobia. Não é um diagnóstico médico, mas oferece vestígios que podem ser levados para um especialista avaliar em consulta. Você pode acessá-lo neste link: https://www.aidep.org/sites/default/files/2020-04/RIDEP55-Art12.pdf